Publicado em

Conheça a série de livros infantis ‘Contos de Moçambique’, publicada no Brasil pela Kapulana

A série apresenta histórias tradicionais recriadas com narrativas que revelam os múltiplos universos do país.

Desde 2016, a série Contos de Moçambique vem sendo publicada no país pela Kapulana. Trata-se de um projeto em conjunto com a Escola Portuguesa de Moçambique (EPM), com o objetivo de divulgar no Brasil as histórias das tradições orais moçambicanas. Ao todo serão dez volumes, sendo seis já lançados pela editora e à venda no site .

Originalmente publicados em Moçambique, os livros revelam as riquezas das expressões populares, por meio de contos que inspiram o imaginário infantil e ampliam o conhecimento das culturas africanas. A série apresenta histórias tradicionais recriadas com narrativas que revelam os múltiplos universos do país. Além dos textos, as páginas acompanham ilustrações de artistas moçambicanos e suas diversas manifestações.

Em março chegam às livrarias dois volumes inéditos no Brasil: Na aldeia dos crocodilos, de Adelino Timóteo, ilustrado por Silva Dunduro, e O caçador de ossos, de Carlos dos Santos, ilustrado por Emanuel Lipanga.

AS OBRAS PUBLICADAS PELA KAPULANA

O rei mocho (v. 1), de Ungulani Ba Ka Khosa – No livro, Um pai mostra ao filho como as mentiras surgiram no mundo. Os pássaros escolheram o mocho, por causa dos chifres que tinha na cabeça, para guiá-los em suas tarefas. Até que o homem resolveu intervir, e descobriu a verdade que o mocho escondia. Américo Mavale ilustrou o livro a partir de peças em batique craquelê.

As armadilhas da floresta (v. 2), de Hélder Faife – Na história, homem e leão disputam a liderança na floresta. Cada um faz uso de artimanhas para vencer o outro, até que a disputa é solucionada, de maneira inesperada, com a participação de outro animal: o rato. O artista Mauro Manhiça ilustra majestosamente o conto com desenhos digitais que dão vida às personagens.

A viagem (v. 3), de Tatiana Pinto – Em A viagem, Masud e Wimbo tinham dois filhos, Agot e Mbuio, e uma filha, Inaya, que deseja ter o mesmo tratamento que seus irmãos. Ela sai de sua aldeia para salvá-los em outra cidade. Durante seu caminho, descobre sua força e coragem. Luís Cardoso usa diversas técnicas para dar vida aos bonecos tradicionais de Tomás Muchanga, ilustrando belamente esta história moçambicana.

O casamento misterioso de Mwidja (v. 4), de Alexandre Dunduro – O livro narra a intrigante história de Mwidja e seu irmão Zwiro, também melhores amigos, que passam por uma perigosa aventura e contam com a ajuda de seu amigo flamingo para encontrarem o caminho de volta para casa. Luís Cardoso usa diversas técnicas para dar vida aos bonecos de miçanga de Orlando Mondlane.

Kanova e o segredo da caveira (v. 5), de Pedro Pereira Lopes – No enredo, o mambo de Mopeia não está contente com as coroas em seu guarda-roupa! Ele envia meninos do reino para encontrar materiais para uma nova coroa. Um deles é Kanova, que, com a ajuda de uma caveira falante, passa por aventuras na busca de materiais dignos de uma coroa real. O artista Walter Zand ilustra essa narrativa misteriosa com pintura digital.

Wazi (v. 6), de Rogério Manjate – Na trama, o velho caçador Jhapondo ensina seu neto Wazi a caçar para manter as tradições do clã, mas apresenta uma regra misteriosa. Após a morte do avô, há uma reviravolta da vida de Wazi, que passa a entender a língua dos animais e a viver incríveis aventuras com seu cão Paciência. Celestino Mudaulane ilustra esta narrativa com a nanquim sobre papel.

Na aldeia dos crocodilos (v. 7), de Adelino Timóteo – Na obra, a aldeia dos crocodilos fica na beira do rio, numa terra fértil onde tudo que é semeado, cresce. Lá vivem Mandoguinhas e seu avô Boaventura, que conta ao neto que os crocodilos que ficam na beira das águas não são animais, mas, sim, ubuntus – gente. O menino acha que o avô Boa estava alucinando devido à velhice, porém, quando ele desaparece no rio, Mandoguinhas tem que desvendar o mistério dos crocodilos. O livro é ilustrado com as deslumbrantes pinturas a óleo de Silva Dunduro.

O caçador de ossos (v. 8), de Carlos dos Santos – No livro, Sinaportar era um grande caçador, reconhecido em sua Aldeia e arredores. Porém, tinha também fama de egoísta, solitário, pois se negava a caçar em grupo; ia sempre à caça sozinho, acompanhado apenas dos cachorros que havia herdado do pai, um lendário caçador. O que ninguém sabe é que Sinaportar não é um grande caçador, dependendo totalmente dos cães para abater qualquer animal. Um dia, inesperadamente, os cães passam a se negar a caçar. Agora, Sinaportar deverá resolver esse problema antes que o seu segredo seja revelado. As esculturas de Emanuel Lipanga desenvolvem as dinâmicas do enredo e estampam as tradições artísticas moçambicanas.

Leona,  a filha do silêncio (v. 9), de Marcelo Panguana – Em um lugar de mil encantos, vivem o Leão e a Leoa e sua filha, Leona. Leona é muito bela e encanta a todos que enxergam sua beleza, mas é triste e há muito tempo que não fala nada, nem ri. Um dia, seus pais viajam para um reino distante e, ao retornarem, trazem um vestido de noiva e decretam que aquele que conseguisse fazer Leona falar a levaria ao altar. O que ninguém sabe é que Leona já está apaixonada e espera a volta do seu amado. Será que algum dia seu amor vai retornar e ela vai voltar a falar e a rir?

CONTOS DE MOÇAMBIQUE

A série “Contos de Moçambique” surgiu da colaboração entre a Escola Portuguesa de Moçambique e a Fundació Contes pel Món, de Barcelona, Espanha. A Editora Kapulana fez uma parceria com a Escola Portuguesa de Moçambique para publicar no Brasil a coleção, com o objetivo de apresentar ao leitor brasileiro um pouco da cultura moçambicana. A série é composta por dez volumes de contos da tradição oral de Moçambique. São histórias recontadas por renomados escritores e ilustradas por artistas de diversas expressões, como pintura, desenho, escultura, batique e artesanato.

EDITORA KAPULANA

A Kapulana é uma editora voltada para a publicação e divulgação da literatura de autores brasileiros e estrangeiros. A proposta é ampliar e apresentar as diversas linguagens literárias aos leitores brasileiros. A seleção de títulos – voltada para autores e livros que ainda não têm visibilidade – apresenta múltiplas identidades, com temas e cenários que expressem seus valores socioculturais. Atualmente, o catálogo da editora é composto por livros de ficção e científicos, para adultos e crianças, em prosa e poesia. Os escritores, ilustradores e colaboradores são de países como Brasil, Angola, Moçambique, Nigéria, Portugal, Quênia e Zimbábue.

São Paulo, 19 de fevereiro de 2018.